quinta-feira, 12 de junho de 2008

E QUANDO O AMOR ACABA...



A relação amorosa é um tema constante na literatura. Pe. Antonio Vieira também adentrou esta seara. Leia o fragmento do Sermão a um ex-namorado, reflita um pouco sobre a responsabilidade de cada um dos amantes em um relação. Quando o amor acaba, a culpa é de quem?

Faça uma análise retórica do Sermão a um ex-namorado, verificando as estratégias utilizadas e a argumentação para defender a tese sobre a culpa do amor acabar em uma relação amorosa.
SERMÃO A UM EX-NAMORADO

“Amor é como a lua, quando não cresce mingua.”


I
Tu, meu ex-namorado, dizes que sou a culpada de tudo mas, no fundo, sabes que ambos somos culpados pelo ponto final na nossa relação. Será que não me soubeste compreender ou eu não me soube exprimir? Será que eu me soube exprimir e tu não quiseste compreender? Será que eu não me quis expressar da melhor maneira e tu não conseguiste compreender? Será que eu não me quis exprimir correctamente e tu não tentaste compreender-me? Será que os sentimentos mudaram e não nos apercebemos disso? Não é tudo isto verdade? Talvez sim, talvez não.
Qual será a solução para este nosso dilema? Tentarmos de novo e ser felizes ou perdermos este sentimento para sempre?
A nossa história começou muito bem. Namorámos mais de cinco anos, e sempre nos apoiámos em tudo; o que terá corrido mal desta vez? De uma coisa eu tenho a certeza… o amor nunca nos faltou em nenhum momento da nossa relação, verdade?...


II
Em todos os homens existentes na terra, nós, mulheres, destacamos duas virtudes comuns a todos vós.
A coragem é uma virtude que os homens possuem. Demonstram-na nas situações mais extremas e adversas e de mil e uma maneiras. Os soldados da paz, por exemplo, evidenciam esta qualidade todos os dias, quando são chamados para socorrer quem mais necessita da sua ajuda. Os polícias trabalham todos os dias em prol da nossa segurança, arriscando muitas vezes a sua própria vida. Poderia referir muitos mais exemplos que comprovassem o que digo, mas estaria a tornar-me maçadora.
Outra das vossas melhores qualidades é a vossa protecção em relação aos vossos entes mais queridos. Está no vosso sangue! O instinto afectivo em relação, por exemplo, aos vossos filhos, conduz-vos à protecção contra os perigos que espreitam em cada esquina. Esta vossa característica também se manifesta quando necessitais de proteger as vossas amadas, de protegê-las dos perigos da vida e, muitas vezes, preferis ficar com o fardo pesado e vê-las felizes, do que vê-las sofrer.
Foi uma das qualidades que me levou a apaixonar-me por ti e que ainda hoje me fascina…

III
Ser trabalhador é uma grande qualidade tua, que na tua área, arquitectura, é uma virtude indispensável. Sem todo o teu trabalho, nada do que tens hoje seria possível. Aliás, foi graças a todo o trabalho a que te deste que me conquistaste. Porque com este meu feitio difícil, sem trabalho nada conseguirias.
Mesmo depois de tantas discussões, tantos arrufos, tantas insinuações, houve uma qualidade que nunca te faltou, a sensibilidade. Sempre foste sensível tanto nas situações mais dramáticas e difíceis, como nas mais triviais e, por isso, louvo-te.
Há ainda que salientar a tua beleza, que me encantou desde o primeiro momento em que te vi. E não falo apenas dos teus lindos olhos verdes, do teu cabelo louro, da tua pele macia… Nunca conheci ninguém assim e foi, por essa razão, que te amei e ainda te amo. Como diz o ditado popular, o que está por fora não interessa, apenas interessa o que está por dentro. Porém, no teu caso tudo importa, és belo tanto por fora como por dentro.
Terminar o nosso namoro foi uma decisão muito complicada, tentei pesar os “prós” e os “contras”. E apesar de todas estas tuas qualidades, foi preciso terminar a nossa relação. Tivemos tempo para pensar no que é realmente importante e, quem sabe, apagar o “ponto final” e colocar uma “vírgula” no nosso amor…


IV
Mas, como sabemos, nada é perfeito e todos nós temos defeitos. Por isso, não vou acabar o meu discurso sem falar nos defeitos comuns a todos vocês, homens, e nos teus em particular.
Começo pela presunção dos homens que é, ao que me parece, demasiadamente exagerada. É certo que alguns homens não a possuem, pois existem sempre excepções à regra. Mas toda a presunção que vejo dentro de vós deixa-me bastante irritada. Sei que alguma vaidade pode ser benéfica para a nossa auto-estima, mas em exagero só nos faz parecer aquilo que não somos.
Outro dos vossos defeitos é o machismo; essa vossa ideia de que sois superiores a nós, mulheres, e que, por isso, deveis ter direitos que nós não temos, é totalmente descabida. Como é possível que alguns de vós (não muitos, felizmente), ainda penseis que o lugar da mulher é em casa a tratar dos filhos e da lida da casa? É um pensamento retrógrado e que em nada contribui para um bom relacionamento entre homens e mulheres.
Essa vossa ideia de superioridade leva-vos, por vezes, a maltratar as mulheres. E são tantas e de todas as classes sociais as mulheres maltratadas, espancadas, violentadas pelos seus companheiros!


V
Passando agora ao particular, aos teus defeitos, quero dizer-te que o ponto final da nossa relação me custou imenso, mas não foi de ânimo leve que tomei essa decisão. A tua insensibilidade em relação aos meus problemas e dúvidas provocou em mim uma sensação de vazio, que até hoje não consegui preencher. Essa insensibilidade foi desvanecendo, foi minando a nossa relação.
O meu desgosto contigo não se ficou apenas por esta tua incapacidade de entendimento; a tua intolerância para comigo surpreendeu-me pela negativa, pois as tuas atitudes egoístas, em relação às minhas esperanças, e aos meus medos, desiludiram-me totalmente, e a minha alma e o meu coração escureceram.
O teu ciúme dos meus amigos também me entristeceu muito. O facto de não confiares em mim e de não me teres dado liberdade para aquilo fazer o que eu mais gostava, fez com que a revolta e o vazio fossem crescendo dentro de mim…
Lembras-te de quando acabei o meu curso e andava à procura de emprego? Eu andava completamente de rastos, porque não conseguia encontrar um emprego que nos pudesse dar estabilidade, mas tu, em vez de me apoiares e ajudares a procurar um emprego, não me deste qualquer importância. Doeu muito!




VI
Depois de todas estas palavras que te disse, cada uma profundamente sentida, espero que as guardes no teu coração e, acima de tudo, que te lembres de todos os momentos que passámos, tanto bons como maus.
Admito que também errei em muitas situações, não te apoiei sempre, fui um pouco egocêntrica, não consegui por vezes compreender-te da melhor maneira, mas qual seria a piada do Mundo se fôssemos perfeitos?
Mas estas palavras serviram para eu desabafar e, sobretudo, para que reflictas porque, afinal de contas, continuas a ser o meu melhor amigo. Talvez que estas palavras também sirvam para aliviar esta pressão que existia entre nós. Embora tenha sido um desabafo sobre tudo o que me atormentava desde que “acabámos”, o que gosto e o que não gosto tanto em ti, quero que saibas que ainda acredito.
Que a solução para este nosso problema, talvez não seja a separação; sinceramente acho que merecemos uma segunda oportunidade… o nosso amor exige-nos isso…

5 comentários:

Milena Fernanda Conti disse...

Marina Lima de Castro
Milena Fernanda Conti
Rafael Saggioro Molan

Acreditando que em um relacionamento sempre haverá um fim .... e pensando nas conseqüências que a vida pode nos proporcionar.... como um viagem por trabalho, ou questões de família, temos que sempre estar preparados para o fim.
As palavra ditas nesse "sermão" mostram uma pessoa muito apaixonada e determinada a expressar o que esta sentindo.
Muito interessante pois, o que importa realmente é ter a coragem e saber o momento certo para dizer essas palavras. (complicado)
Pensamos que nunca nosso "eterno amor" vai desaparecer de nossas vidas mas, temos que compreender que não podemos fazer tudo que queremos.
Conversando entre nós .... acreditamos que sempre o que tiver que ser, será. Dependemos de nós ou não, o destino esta traçado para nossos relacionamentos..... sempre.. gostei .... não gosto mais ... e conheci outra pessoa .... pode ser uma quetão!
É muito mais fácil trabalhar com a verdade não é ?

Anônimo disse...

Andreza Sega
Everton Hernandez

No poema do Padre Antonio Vieira ele usou a figura da mulher para expor os sentimentos do casal perante a ruptura da relação conjulgal. Afinal a mulher é, em uma relação, quase sempre, a figura mais emocional e submissa.
Pois na sociedade em que vivemos, vemos todos os dias, exemplos de mulheres que apoiam puramente seus maridos no trabalho, na casa, na vida, mas que não recebem uma reciprocidade dessa cumplicidade.
O homem sempre foi visto na sociedade como o lado forte, inbalável e protetor na relação, diferente da mulher.
Já ficou tão instulicionalizado em nossa sociedade que "homem que é homem não chora" chega a ser difícil para ele expressar seu sentimento com o medo do que a sociedade pensaria dele, se é afeminado ou um fraco.
Já no caso da mulher, aquele papel de "mãe protetora" acaba alcançando até seu marido, pois para ela dar mais atenção aos filhos do que ao marido dará à ele a impressão de que ela não o ama mais.
Com esse poema o Padre Antonio Vieira tentou explorar toda a fragilidade caracterizada ao sexo feminino e virilidade ao sexo masculino de forma a construir uma critica social em nosso modo de viver, agir e pensar.
Afinal porque mesmo que o homem nao pode chorar se possui tantos problemas como a mulher?
E porque uma mulher nao pode ser competente o bastante para ter um emprego que remunere de forma a poder bancar todas as necessidades e desejos do casal?
E mais porque mesmo lutando pela igualdade dos sexos o anos nao conseguirimos colocar-las em aplicação em nossos lares ao inves de lutarmos por ela apenas no ambiente de trabalho?
Ele terminou o poema descrevendo uma das mais belas virtudes o perdão, após enumerar os defeitos da humanidade de certa forma que nos faz refletir e ver que há sim coisas boas em todos, basta aplicar-mos elas a cada dia de nossas vidas, idenpendente da reação positiva ou negativa do outro (de quem esta ao nosso lado)

Vivi Vendramini disse...

Ana Eliza Carraro
Bruna Catto
Mirian Cristina Frederico
Vivielen Saggioro Vendramini

ANÁLISE: SERMÃO A UM EX NAMORADO

Como forma de captar a atenção dos leitores, o autor, logo de início, lança a seguinte frase de reflexão: "O amor é como a lua, quando não cresce, mingua". Esta frase nos desperta interesse e curiosidade sobre o assunto a ser abordado no texto.
Na seqüência, fica claro o tema a ser tratado: a culpa pelo fim do amor em um relacionamento amoroso. A princípio, ambos são apontados como culpados. Em seguida, começa-se a apontar o homem como o culpado pelo fim do amor, nos dando a entender, que o universo masculino dá maior importância á outras coisas, deixando o amor em segundo plano.
A mulher aparece como vítima na história. Diversas críticas são feitas ao homens, que são rotulados de presunçosos e machistas, porém, quando é utilizada a palavra "presunçosos", a autora não "chama pra si" toda a responsabilidade pelo o que diz. A impressão que nos dá, é que todas as mulheres pensam desta forma. Com a impressão de ter "conquistado" seus leitores (mulheres), ela volta a criticar os homens, aí sim assumindo a responsabilidade pelo o que diz.
As críticas não param. Ela destaca que suportou muitas coisas (ciúme, incapacidade de entendimento, atitudes egoístas, falta de apoio) do ex, antes de colocar um ponto final na relação. Depois de críticas e mais críticas ao universo masculino, ela admite, timidamente, que ela também errou em muitas situações, e acredita na reconciliação.

Yuri Thiago disse...

Yuri T. Pincelli
Keite Rodrigues
Thais Gonçalves

Namoro sem quebra-pau não é namoro. Quando se está tudo perfeito, é porque o "serviço" está sendo terceirizado.
A autora do "desabafo" soube usar as palavras, porque ela começou falando bem do rapaz, falando das qualidades que o moço tinha , enchendo o ego do cara e depois, quando ele estava com a moral lá em cima, ela "soltou os podres", deixando um clima de "'Puts', ce é tão legal, tem tantas qualidades, mas você 'pisou na bola' com certas coisas bobas".
Aparentemente o cara num está nem aí prá ela, e ela só está tentando voltar porque ela se acomodou nos 5 anos de namoro.
Ah, esqueci de falar quem é o culpado na minha opinião: LÓGICO QUE É ELA!
Talvez se ela tentasse discutir menos a relação...hauuahahuhua

Anônimo disse...

Evelyn Nadaleto
Flávia Aldrovandi
Ralf Baldo



Referente a analise do texto em questão, usa-se uma linguagem formal, apesar de ser apresentado os sentimentos de que quem o escreveu. No caso a suposta ex-namorada. De fato, é exposto o lado sentimentalista, onde se é relatado todos os anseios, prós e contras de uma relação, digamos longa (vista nos dias atuais) e alguns pontos de vista.

Também é colocado em evidência o lado realista e coerente, onde a autora pensa e não age com o coração, seguindo sua suposta linha de raciocínio o qual ela acha realmente plausível que é o termino de sua relação. Ela é bem realista, expões suas idéias e pontos de vista, onde no início do texto, aponta o próprio casal como culpado, logo mudando de idéia e afirma que seu ex-namorado deixou a desejar no relacionamento e finalizou com criticas aos homens, os rotulando de machistas. Eu usaria o termo: “transferência de culpa” dela para seu ex-namorado. Como se ela tivesse feito tudo certo, o tempo todo nesse relacionamento.

Depois de todo esse “desabafo”, ela repensou. Concluiu que ainda há amor entre eles, e que apesar dos pesares, merecem sim uma outra chance. Talvez ela tenha tentado expor a diferença social entre homem/mulher. Uma revolta entre essa diferença, pois falou sobre machismo, ciúmes... Algo que já vem imposto pela sociedade.